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SOLENTA E OLÍMPIO

14 de abril de 2009. Solenta fez participação no espetáculo Sacoletras de seu grande parceiro Olímpio. Ih, primeira vez que ele aparece aqui. Então se quiserem saber um pouco mais dessa amizade secular, podem dar uma olhadinha no http://www.lospatos.com.br.Era uma platéia encantadora. Dessas que dizem SIM o tempo todo e vão se arriscando junto aos palhaços, se divertindo. Mesmo com uma luz precária - foi em um cinema - o que dificulta um pouco a relação mais próxima do "olho no olho", as pessoas todas pareciam estar bem junto e bem dispostas a brincar. E olha que isso foi às 8 e meia da matina. Imagens como a dos dois meninos de farta cabeleira fazendo a dança da chuva são dessas que jamais sairão da mente/corpo. Ou a do Olímpio entregando a flor, improvisada com papel higiênico para a moça da platéia. Penso agora que a configuração do espaço num formato de quase estádio de futebol de tão inclinado, o que a princípio era um pouco assustador, foi na verdade acolhedor, pois é …

Le professeur, l'élève et la grandmère Nair

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A convite da querida amiga Juliana, os palhaços Solenta  e  Capitaine foram visitar avó dela, Nair, que acaba de completar 90  anos. Antes de mais nada, há que se dizer que essa é apenas a terceira vez que Solenta e Capitaine se encontram fora do espaço entre quatro paredes das aulas de francês.A primeira vez foi quando se conheceram em uma saída orientada pela mesma querida Juliana, no parque do Ibirapuera. A segunda, em uma aula pic nic, também no parque do Ibirapuera (experiência incrível). Bom, voltando ao dia 07 de abril de 2009. Solenta, que já não é mais tão lenta, chegou antes do professor. Já na rua aconteceram coisas incríveis e, ao chegar em frente ao prédio, o porteiro disse: "Acho que é aqui". Quer recepção melhor que essa? Lá, Solenta esperou o professor. Era uma verdadeira sala de espera, repleta de passantes (moradores, entregadores, trabalhadores...). E assim, de turbinas aquecidas, Solenta recebeu Capitaine. Feliz de encontrar o parceiro de viagem! E assim, p…

O PRIMEIRO DIA - IMPRESSÕES

Para além da descrição, da narrativa do ocorrido em cada visita do PAD, que já é coisa por demais de difícil, existe, também, uma série de pensamentos, sensações e observações que gostaria de conseguir escrever. A possibilidade de entrar nas residências , no mundo dessas pessoas, seus pertences, seus retratos, suas intimidades,  a forma como se organizam para acolher as dificuldades e limitações, é algo que permite acessar mais rapidamente o universo de cada uma delas. E isso abre portas...Portas da memória, da história pessoal e familiar, da singularidade de cada ser. É assim que o palhaço pode mais facilmente encontrar os ganchos para uma relação verdadeira com  o paciente e seus cuidadores. Assim, essas pessoas  podem se sentir vistas e ouvidas verdadeiramente. Esse trabalho miúdo, corpo a corpo, respiração a respiração  possibilita encontros verdadeiramente densos e até mesmo transformadores. Transformadores de estados, energias e ....   e tanto mais que ainda nem sem nomear. Que ven…

O PRIMEIRO DIA - A SEGUNDA VISITA - Sr. João

Um calor exaustivo e a sensação de que poderia ficar elaborando a primeira visita pelo resto do dia, mas eu mesma pedi para serem duas nesse primeiro dia, então, vamos lá...Respira fundo que nem tudo são flores. Na segunda visita a recepção de cara não nos pareceu favorável. Dona Neli cuida sozinha de Seu João. 24 horas por dia, 7 dias por semana. Exausta, desamparada, desalentada... A sensação de que éramos um estorvo.  Terezinha   apresentou a palhaça Solenta e iniciou os seus procedimentos, que foram mais longos do que o esperado pois Seu João estava  com feridas que precisavam de uma atenção especial e Dona Neli precisava de uma orientação para cuidados posteriores. Solenta ficou na sala, esperando, olhando porta retratos, buscando brechas de abertura para conseguir acessar e sensibilizar Dona Neli. Esse caminho foi longo mas recompensador quando a fresta se abriu.... O fio foi o da cidade natal  deles:  Exu em Pernambuco, cidade de Luiz Gonzaga. E assim, o "Rei do Baião" abri…

O PRIMEIRO DIA - A PRIMEIRA VISITA - Sr Kaji

Prometo que só vou escrever isso uma vez: É impossível registrar um milésimo do que é cada experiência e eu fico sempre com a sensação de que estou sendo leviana com o tanto que fica de fora.
Mas lá vou eu com o menos de um milésimo que consigo escrever, descrever. A primeira visita, toda a ansiedade, a agonia, a felicidade e o medo. Troquei de roupa e me maquilei no banheirinho do hospital e esperei minha parceira, a enfermeira Terezinha, para rumarmos para nosso imponderável encontro.  Aquecendo as entranhas, o caldeirão interno... Chegando para as pessoas. O recepcionista do hospital Valdenor, o camarada Vanderlei que levou a mala até o carro, a moça ao telefone... cada um ao seu modo, pondo lenha pra aquecer esse caldeirão. O motorista Mauro que rapidamente entrou no jogo ajudando no aquecimento. Pausa para Terezinha contar um pouco sobre os pacientes e suas famílias. Nem vi o caminho se me pedirem para voltar nas casas eu não poderia pois quando dei por mim já estávamos na porta do Sr. K…

PAD Palhaço - Construindo um Caminho

Há 11 anos atrás, quando vi pela primeira vez o maravilhoso palhaço catalão Tortell Poltrona, criador da organização "Payasos sin fronteras", fui acometida de um "querer". Esse querer era o de participar de uma missão, como palhaça, para qualquer parte do mundo.O Payasos sin fronteras hoje existe em vários países e sua missão é "velar e melhorar as condições psíquicas em que vivem as pessoas, particularmente, meninas e meninos dos campos de refugiados, territórios em desenvolvimento e em situações de emergência em todo o mundo". Sempre disse para mim mesma que esse desejo de viajar para um lugar distante, para uma missão na África, Haiti, Kosovo...tinha muito mais a ver com uma vontade de crescimento pessoal do que achar que eu seria mais útil do outro lado do mundo do que em meu próprio país. Mas, nesse tempo, não deixei de pensar no que eu poderia fazer por aqui. E nessa trajetória, fui tendo idéias que cada vez deixavam mais próxima a concretizacão do…