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QUARTO DIA - Seu Miguel

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Chegamos à frente da casa, um sobrado com uma grade que fecha toda a garagem. Sônia, a filha de seu Miguel, nos abriu o portão. Um ar de cansada e dispersos olhos azuis. Seu Miguel tem 88 anos e fica numa cama hospitalar na sala. Sala bastante escura, mesmo quando a luz está acesa. Às vezes, senta na própria cama, mas a maior parte do tempo fica deitado. A sala foi  o único cômodo da casa que Solenta conheceu. O que a fez estar presente a todos os procedimentos de enfermagem de Terezinha. Descobertas de coisas a serem cuidadas, feridas, frieiras nos pés..., uma tosse seca... A esposa de Seu Miguel, Dona Ana, não deu as caras. Era como se sentíssemos a presença de um gato acuado, se escondendo no andar de cima da casa. O ENCONTRO - ou a tentativa dele
Depois que Terezinha terminou seus procedimentos, Solenta tentou chegar, mas não estava fácil. Talvez pela impossibilidade de exploração do ambiente, ou por não estar aquecida o suficiente, ou por não conseguir se libertar de uma situação d…

TERCEIRO DIA - D. Magdalena

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Chegamos na frente da casa e Solenta  ficou deslumbrada com o roseiral repleto de rosas vermelhas. Pegou a máquina fotográfica e registrou aquela beleza. Tomou gosto e registrou outras tantas coisas. Dona Magdalena tem 90 anos e parece uma menininha. Quem cuida dela é seu filho Deílson. Ela teve um tombo que a impossibilitou de caminhar, anda com auxilio de um andador pelo interior da casa e até a frente, mas não sai.
O ENCONTRO
A casa tem um cheiro bem forte característico das coisas antigas. Esse foi o tom do encontro. Uma entrada em um túnel do tempo. Todos os sentidos despertos, tanto que é possível lembrar até os momentos em que Solenta esteve ausente, coisas que ela deixou passar.  Deílson gosta de mostrar as coisas que a mãe faz, como um tricô todo colorido feito de um novelo de restos de lã emendadas, pura poesia. Um pulóver inacabado em consequência de um problema na vista... Quando Dona Magdalena e Terezinha se recolheram para o quarto para procedimentos de enfermagem, Solenta a…

TERCEIRO DIA - S. Luis

A bela cuidadora Alessandra nos abriu o portão. Olhos verdes combinando com a calça. Olhos atentos. Cuida de Seu Luis durante o dia, à noite o filho dele está em casa. Dona Inês é a esposa, uma portuguesa com jeito de desconfiada. Seu Luis não anda e sua expressão verbal exige bastante atenção para ser compreendida. O ENCONTRO Dona Inês poderia ser repórter. Tamanho bombardeio de perguntas a toda hora puxava a Mônica que existe na Solenta. Isso levou a um encontro extremamente verbal sem muita graça e surpresa, um encontro quase cotidiano... Sim, houve momentos de suspensão da falação, com a pequena gaita, o instrumento de terras longínquas e principalmente com a caixinha de música que deixou-os encantados. Seu Luis admirava a vestimenta da Solenta e dizia "Tá tudo combinado". Ele estava ligado em tudo, prova disso é que quando ouviu Terezinha andando da cozinha para o corredor, disse: "Cuidado com o degrau". Precisou repetir isso algumas vezes até que pudéssemos ent…

SEGUNDO DIA -Seu Saturnino

Cristiane a sobrinha abriu o portão e   já  nesse momento foi possível pressentir mais uma cuidadora sofrida e sobrecarregada. Seu Saturnino é o paciente do PAD, respira com ajuda. Recepientes de oxigênio se enfileiram na entrada do quarto. Benedita - Benê a esposa , tem sobrepeso e dificuldade de caminhar, fica deitada na cama ao lado dele. 

O ENCONTRO
Terezinha entrou apresentando Solenta. Benê já foi logo dizendo que a palhaça seria bom para Seu Saturnino, marcando território, como quem diz "Me deixa aqui no meu canto que eu quero saber de coisas mais sérias como - a quantas anda a reforma do hospital, é possível conseguir uma consulta para tal médico... " Mas, aos poucos ela foi se entregando ao momento, às vezes ainda dispersava fazendo perguntas para Terezinha, mas até o final do encontro já estava mais a vontade com a presença da palhaça. Seu Saturnino se entregou logo de cara. Falou, falou e falou. Solenta ouvia atentamente, fazia graça  a toda hora mas ouvia atentament…

SEGUNDO DIA - Seu Paulo

Bem que a Terezinha avisou: A casa é bem cuidadinha, cada detalhe pensado no capricho...  Um cremoso suco de maracujá estava sendo feito por Irene, a esposa do Sr. Paulo, Solenta já foi logo degustando aquela delícia. O cuidado com a casa reflete no cuidado esmerado que Irene dedica ao Sr. Paulo. Ela tem regularmente a ajuda do irmão, o que possibilita que ela possa ter momentos de respiro do ofício de cuidar. Sr. Paulo se comunica com os olhos, levemente com a cabeça e esboça um beijo quando solicitado.
O ENCONTRO
Solenta aparece no quarto. Seu Paulo olha. Parece um olhar de espanto, espanto bom ou espanto ruim?  Como saber? Todo um modo de comunicação que é ainda uma grande incógnita para Solenta. As vezes um embaraço, um medo de estar sendo inconveniente.   De repente, surge a pergunta: "Como vocês se conheceram?", feita por Terezinha. Solenta se surpreende com a pergunta que parece ter saído de sua própria  boca. Irene puxa o fio da história. Lá no Cartório Eleitoral de Chã…

SOLENTA E OLÍMPIO

14 de abril de 2009. Solenta fez participação no espetáculo Sacoletras de seu grande parceiro Olímpio. Ih, primeira vez que ele aparece aqui. Então se quiserem saber um pouco mais dessa amizade secular, podem dar uma olhadinha no http://www.lospatos.com.br.Era uma platéia encantadora. Dessas que dizem SIM o tempo todo e vão se arriscando junto aos palhaços, se divertindo. Mesmo com uma luz precária - foi em um cinema - o que dificulta um pouco a relação mais próxima do "olho no olho", as pessoas todas pareciam estar bem junto e bem dispostas a brincar. E olha que isso foi às 8 e meia da matina. Imagens como a dos dois meninos de farta cabeleira fazendo a dança da chuva são dessas que jamais sairão da mente/corpo. Ou a do Olímpio entregando a flor, improvisada com papel higiênico para a moça da platéia. Penso agora que a configuração do espaço num formato de quase estádio de futebol de tão inclinado, o que a princípio era um pouco assustador, foi na verdade acolhedor, pois é …

Le professeur, l'élève et la grandmère Nair

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A convite da querida amiga Juliana, os palhaços Solenta  e  Capitaine foram visitar avó dela, Nair, que acaba de completar 90  anos. Antes de mais nada, há que se dizer que essa é apenas a terceira vez que Solenta e Capitaine se encontram fora do espaço entre quatro paredes das aulas de francês.A primeira vez foi quando se conheceram em uma saída orientada pela mesma querida Juliana, no parque do Ibirapuera. A segunda, em uma aula pic nic, também no parque do Ibirapuera (experiência incrível). Bom, voltando ao dia 07 de abril de 2009. Solenta, que já não é mais tão lenta, chegou antes do professor. Já na rua aconteceram coisas incríveis e, ao chegar em frente ao prédio, o porteiro disse: "Acho que é aqui". Quer recepção melhor que essa? Lá, Solenta esperou o professor. Era uma verdadeira sala de espera, repleta de passantes (moradores, entregadores, trabalhadores...). E assim, de turbinas aquecidas, Solenta recebeu Capitaine. Feliz de encontrar o parceiro de viagem! E assim, p…