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Outro olhar

Hoje tive uma outra companheira de visitas, a enfermeira Bete. Terezinha entrou em férias e só volta daqui a um mês. Minha nova parceira escolheu dois novos pacientes que foram visitados hoje e serão novamente no dia 17 de junho. Dias 03 e 10 de junho não poderei fazer visitas. Quando Terezinha voltar, partiremos para a segunda visita dos primeiros pacientes.Assim, hoje fechei o ciclo de primeiras visitas. Foram 15 pacientes em dois meses, 15 universos, 15 possibilidades de mergulho, 15 jeitos de estar e observar.

SÉTIMO DIA - Dona Francisca

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Dona Francisca tem 62 anos e  é a mais nova paciente do PAD. Ao visitá-la na quarta-feira fazia apenas dois dias que ela havia saído da internação e voltado para casa. Ela está com sonda para receber alimentação subcutânia mas está conseguindo se alimentar via oral. A casa estava cheia: irmãs, marido, filhos e netos. Precisamente dos 8 aos 8O. Oito meses...

O ENCONTRO
Quando chegamos, Seu José, o marido, nos esperava na garagem da casa. Começaram as apresentações da família, treze pessoas além de Dona Francisca. Solenta se sentiu em casa com uma família tão grande e tão acolhedora. Dona Francisca a recebeu muito bem e parecia muito satisfeita com a visita inesperada. Quando Terezinha ficou com Dona Francisca para seus procedimentos de enfermagem, Solenta foi para cozinha onde se encontrava toda a família. Impossível relatar todas as maravilhas desse encontro em que todos estavam muito envolvidos e verdadeiramente presentes. Contaram histórias da Paraíba, terra natal da família, e finalm…

SEXTO DIA - Dona Divina

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Ao chegarmos na frente da casa  fomos recepcionadas  por Graziela, a neta  de 17 anos que já estava com o portão aberto a nossa espera. Dona Divina tem 79 anos e está acamada em consequência de um AVC.A casa é bem populosa mas  tem uma tranquilidade surpreendente, toda a família, incluindo Natan, de 8 anos, age sempre de forma delicada e respeitosa. Depois de sermos recebidas por Graziela,  foi brotando gente de todo canto. A neta Daniela, com um nenê de um mês no colo, o bisneto Natan, a irmã Elvira de 94, muito forte e lúcida e Claudinei, que talvez seja neto de Dona Divina.  O ENCONTRO
Dona Divina não parece ter a idade que tem e ninguém diria que sofre de graves problemas de saúde. Está sentada na cama, encostada na cabeceira, como quem simplesmente torceu o tornozelo  e está obrigada a receber as visitas no quarto. De cara se abriu por completo para o encontro. A delícia de qualquer palhaço, essas pessoas que só falam sim, que se entregam, que entram no jogo sem questionar... Admira…

SEXTO DIA - Dona Joana

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Ao chamarmos no portão veio uma voz de dentro: "Um minuto, por favor". Era Lúcia, a filha de Dona Joana que mora na casa em frente com suas filhas e que cuida da mãe na parte da tarde, depois que a cuidadora vai embora. Dona Joana tem 83 anos e está acamada há muito tempo decorrente de um AVC. Ela se comunica verbalmente e fica em um quarto, separado das outras casas do terreno,  onde dorme sozinha.  O ENCONTROLúcia foi prender o cachorro que latia desesperadamente como o mais  feroz dos cães. Pura fita, pois Popó conseguiu escapar e veio atrás de Solenta e Terezinha com o rabo abanando. Foi uma confraternização. Solenta ama cães, gatos, coelhos, papagaios... Quando Terezinha foi entrar no quarto de Dona Joana ela estava fazendo suas necessidades fisiológicas (o número 2), em um "trono" improvisado ao lado da cama. Terezinha chamou Lúcia para ajudá-la. Enquanto isso, Solenta e Terezinha ficaram admirando e fotografando as orquídeas que estavam na frente da casa. Muit…

QUINTO DIA - Seu Luiz Pereira

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Regina, a filha de Seu Luiz, foi quem nos abriu o portão. Logo veio Dona Maria, a esposa, duas mulheres fortes e acolhedoras. Seu Luiz está acamado há muitos anos, consequência de um AVC. Tem uma série de enfermidades decorrentes, mas consegue se comunicar verbalmente.
O ENCONTRO Solenta mal havia sido apresentada para seu Luiz, chegou seu neto Denis, de 7 anos. A partir daí, ele revezou com Solenta a condução do encontro. Nas apresentações iniciais aconteceu uma grande "euforia fotográfica". Era Regina fotografando com seu celular, Terezinha fotografando com a máquina da Solenta, Denis apagando, sem querer, foto tirada pela mãe, Solenta pedindo para Denis para fotografar sua mãe, sua avó e seu avô com a máquina que estava sendo usada por Terezinha... Seu Luiz parecia estupefato com tamanha algazarra. Depois, enquanto Terezinha fazia seus procedimentos, Denis levou Solenta para a sala, ele estava empolgadíssimo para mostrar seu uniforme da escolinha de futebol, escolinha do Co…

QUINTO DIA - Dona Cândida

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Chegamos à frente da casa onde se depara um lindo jardim. Fomos recebidas pela sorridente filha Liana, por uma orquídea fartamente florida e pelos latidos de Bruna e Pretinha, as duas cadelas da casa. Dona Cândida tem 87 anos, está acamada em consequência de um AVC e permanece entre a cama e a cadeira de rodas. Ela não consegue falar, mas tem um jeito de se expressar tão próprio que é entendida em quase tudo o que quer dizer. As filhas saem com ela sempre que podem. Bete é a cuidadora amorosa e dedicada e Neguinha é a simpática ajudante da casa.

O ENCONTRO
Foi lindo perceber o espanto contente de Candinha ao ver Solenta. Seus olhos saltaram e um largo sorriso se estampou em seu rosto. Olhava para Liana, Terezinha e Bete com um ar de indagação: "o que é isso?", ou melhor, "quem é essa?" Era um rosto iluminado e Solenta se apaixonou de cara. Como é bom esse amor a primeira vista, principalmente quando correspondido. Solenta pegou em sua mão que era pura maciez e perfum…

QUARTO DIA - Seu Geraldo

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Seu Geraldo tem 91 anos, uma grande lista de males, uma perna amputada e sua mente por vezes o coloca em um passado distante. É acompanhado por uma cuidadora durante todos os dias úteis e pela esposa Zilá, ambas de uma dedicação e carinho que transbordam por todos os lados.


O ENCONTRO  Terezinha tocou a campainha e voltou ao carro para buscar algo que havia ficado para trás. Solenta colocou a cara no portão e uma pessoa apontou no alto da escada, abriu um sorriso e disse: "Vou buscar a chave". Era Nazaré, a cuidadora que tinha, na cabeça, uma tiara que trazia uma fileira de corações vazados. Nesse momento, Solenta ainda não previa que esses corações e a linda rosa na floreira já eram sinais do que seria um encontro inesquecível.  Ao entrarem no quarto onde seu Geraldo se encontrava sentado na cama, Solenta sentiu como se o quarto exala-se um perfume de roupa lavada com amaciante e colocada para secar ao sol. Um cheiro de bom trato. Um quarto pequeno mas que para Solenta pareci…