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S. PAULO - O RETORNO

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Na varanda da casa, nos deparamos com um varal repleto de roupas de cama tentando secar. Há dias que chove sem trégua na cidade de São Paulo, até mesmo Solenta, que adora frio e chuva, nesse dia esparramou para os quatro cantos que já estava enjoada desse tempo. As roupas não secam, os ossos resfriam e o corpo fica com uma sensação de sem lugar. Quem nos abriu o portão foi Fabiane, uma moça que ajuda Irene, a esposa. Fabiane não estava na primeira visita e Solenta não a conhecia. Ela já foi logo falando que Solenta não iria fazer nenhum sucesso com S. Paulo, que ele só tinha olhos para Terezinha. E falou tão enfaticamente isso e repetiu tantas vezes que não houve mesmo forma de ser diferente. Como descrevi no primeiro relato, S. Paulo não se expressa verbalmente, só com movimentos de cabeça e olhos e, com a boca, só o beijo que manda quando solicitado. Irene é extremamente dedicada e amorosa. S. Paulo acompanhava Terezinha com o olhar o tempo todo. E Solenta tinha a impressão de qu…

S. SATURNINO - O RETORNO

Quando chegamos em frente à casa, Solenta teimou com o motorista que eles estavam em frente à casa errada. Que nada, a família se mudou. 
Novamente fomos recepcionadas por Cris, a sobrinha cuidadora. E, segundo ela, a casa nova é  bem melhor, sem o carpete que fazia mal para S. Saturnino.  Chegamos ao quarto do fundo, no andar de cima, onde se encontrava S. Saturnino, a esposa Benê, que dessa vez estava sentada na cama ao lado, e Laís, esposa de um dos netos deles. A televisão estava ligada e ficou assim por um longo tempo, pois Laís estava bem interessada no que estava passando, até que Terezinha pediu para desligá-la. S. Saturnino não parecia nem um pouco interessado na TV e ficou bem contente com a visita. O espaço ao lado da cama  era apertado e havia a fileira dos balões de ar, o que dificultou um pouco a aproximação de Solenta, que também  não se sentiu a vontade para se atirar na cama pois a barra de sua saia estava muito molhada e já bem suja apesar de ser a primeira visita do d…

S. SATURNINO - O Mar

Para ouvir S. Saturnino cantando junto com Caymmi

Citando Italo Calvino

Capì questo: che le associazioni rendono l'uomo più forte e mettono in risalto le doti migliori delle singole persone, e dànno la gioia che raramente s'ha restando per proprio conto, de vedere quanta gente c'é onesta e brava e capace per cui vale la pena di volere cose buone (mentre vivendo per proprio conto capita più spesso il contrario, di vedere l'altra faccia della gente, quella per cui bisogna tener sempre la mano alla guardia della spada). Entendam isto: que as associações tornam o homem mais forte e colocam em destaque os melhores dons da pessoa singular, e dão a alegria que raramente se tem ficando por conta própria, de ver quanta gente existe honesta e brava e capaz, pelas quais vale a pena querer coisas boas (enquanto vivendo por conta própria acontece com mais frequência o contrário, de vermos a outra face das pessoas, aquela pela qual é preciso ter sempre a mão na guarda da espada). Italo Calvino, I Nostri Antenati, p. 192, Oscar Mondadori, 2008.

SEU JOÃO - O RETORNO

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Sempre que começo um relato, me pergunto se conseguirei ou não passar a atmosfera que permeou o encontro. Às vezes consigo e às vezes não passo nem perto. No caso de S. João, gostaria de passar, além da atmosfera, a transformação que foi se dando desde o tocar a campainha do primeiro encontro até o final desse segundo. D. Neli, a esposa de S. João, estava nitidamente exausta em nossa primeira visita, e no início dela não estava vendo muito sentido na presença de uma palhaça na casa. Aos poucos foi se abrindo e ao término desse primeiro dia já estava completamente transformada. E nosso segundo encontro já partiu desse ponto. Quando tocamos a campainha já pudemos perceber a euforia das netas que esperavam no pequeno quintal, que é dividido com outra casa. Veridiana e Verônica não estavam no primeiro encontro e elas estão agora passando uma semana de férias com os avós. Além das duas, mais duas vizinhas estavam com elas: Mariana e Gabriela. Gabriela, a mais velha, de 13 anos, correu para…

O Forró Improvisado

Verônica, Veridiana e Solenta dançam O Siri Jogando Bola. Filmado por Mariana

DIVINA - O RETORNO

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Ao chegarmos à casa fomos recebidas pela nora de D. Divina, Maria Inês que mora em Araçatuba e veio passar uns dias por aqui. Na casa, Alan e Nathan, bisnetos, as netas Daniele e  Gabriele, de 15 anos, que agora é a cuidadora de D. Divina, e Elvira, a irmã de 94 anos. Como da outra vez, nenhum deles interferiu na visita. Ficaram na sala e só se achegaram quando foram convocados. Somente Elvira ficou por perto, buscou cadeira, ofereceu conforto. Apesar de D. Divina estar avisada da visita, até parecia que era surpresa, tamanha a euforia do encontro, do abraço.  Divina e Solenta falaram de saudade e falta, coisas que nos acometem quando ficamos tempos sem um encontro com pessoas queridas. D. Elvira trouxe uma cadeira para Solenta sentar, mas ela preferiu ficar ali ajoelhada ao pé da cabeceira de D. Divina para ficar pertinho, de mãos dadas... Divina disse várias vezes que sentiu saudades de Terezinha também. "A gente sente saudades de quem a gente gosta, vocês me fazem muito bem, me …