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Encontro com a Equipe

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Dr. Cláudio, Dra Eloisa, Ana Sílvia, Mirian, Milena, Rose, Dr. André, Celisa, Ivy, Tererezinha, Dra Célia, Silmara, Solenta, Bete e Ivete

Dia 12 de agosto Solenta foi se encontrar com toda a equipe do PAD. Conheceu pessoas que ainda não conhecia e reviu outras que pouco a pouco vão se tornando próximas.
Esse encontro foi acima de tudo um ritual de agradecimento por fazer parte de uma equipe tão especial. Foram quase cinco meses de trabalho e apesar de Solenta ter trabalhado diretamente, até agora, só com a enfermeira Terezinha, que é quem a acompanha nas visitas (além de um dia com Beth e outro com Ivy), sente que é a equipe toda que dá sustentação a seu trabalho. Assim, ela foi lá agradecer. Foi engraçado, pois a equipe achou que se tratava de uma despedida. Talvez porque não estejamos muito acostumados a receber agradecimentos durante os processos, geralmente eles só chegam ao final. Final de uma história, de um curso, de uma parceria, de uma vida... Solenta gosta de agradecer t…

Encontro com o outro - Citando Jean-Louis Barrault

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Estava eu pensando que o encontro com cada um dos pacientes visitados se assemelhava ao enamoramento por uma pessoa, 0 encantamento de um momento único, quando li o seguinte texto:

"Somos mitades de unidad. El ser reconstituido es la pareja.
...
Ese instante en que los individuos se quedan embobados el uno ante el otro. Se hace un silêncio extraño y se entabla el diálogo subterráneo. El tiempo y el espacio han dejado de existir. Se produce la descarga del Presente. El minuto de la verdad, cuando Torero y toro acaban de reconecerse."

Mi Vida En El Teatro - Jean Louis Barrault - Editora Fundamentos - p. 17

Aqui vai minha tradução ao pé da letra:

"Somos metade de unidade. O ser reconstituido é o casal.
...
Esse instante em que os indivíduos ficam abobados um diante do outro. Se faz um silêncio estranho e se entrava o diálogo subterrâneo. O tempo e o espaço deixam de existir. Se produz a descarga do presente. O minuto da verdade, quando toureiro e touro acabam de reconhecer-se.&quo…

DONA JOANA - O RETORNO

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Fomos recebidas por Daniela, neta de D. Joana. Na casa estavam também Tatiana, a cuidadora, e Tainá, de 7 anos, filha de Daniela. Dona Joana mora em um quartinho na parte de cima do terreno que tem várias casas onde moram dois de seus filhos. Ao entrar no quarto, Solenta teve a sensação de que o sol, que havia aparecido depois de um longo período de chuva e frio, ainda não havia conseguido entrar lá. Janela e cortinas estavam fechadas e D. Joana reclamava de um frio que estava muito mais ameno que nos dias anteriores. Ela estava deitada na cama e ficou feliz com a nossa chegada. Não está sendo fácil fazer o registro desse encontro, não só por que ele é a última visita dessa primeira etapa de retornos e a vontade é de escrever tudo o que ainda não consegui colocar em palavras, mas também porque D. Joana é a prova viva de que gentileza gera gentileza, e conseguir relatar o caminho que traçamos com todas as suas sutilezas é obra homérica. Fiquemos pois no resumo. Quando Terezinha começo…

S. PAULO - O RETORNO

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Na varanda da casa, nos deparamos com um varal repleto de roupas de cama tentando secar. Há dias que chove sem trégua na cidade de São Paulo, até mesmo Solenta, que adora frio e chuva, nesse dia esparramou para os quatro cantos que já estava enjoada desse tempo. As roupas não secam, os ossos resfriam e o corpo fica com uma sensação de sem lugar. Quem nos abriu o portão foi Fabiane, uma moça que ajuda Irene, a esposa. Fabiane não estava na primeira visita e Solenta não a conhecia. Ela já foi logo falando que Solenta não iria fazer nenhum sucesso com S. Paulo, que ele só tinha olhos para Terezinha. E falou tão enfaticamente isso e repetiu tantas vezes que não houve mesmo forma de ser diferente. Como descrevi no primeiro relato, S. Paulo não se expressa verbalmente, só com movimentos de cabeça e olhos e, com a boca, só o beijo que manda quando solicitado. Irene é extremamente dedicada e amorosa. S. Paulo acompanhava Terezinha com o olhar o tempo todo. E Solenta tinha a impressão de qu…

S. SATURNINO - O RETORNO

Quando chegamos em frente à casa, Solenta teimou com o motorista que eles estavam em frente à casa errada. Que nada, a família se mudou. 
Novamente fomos recepcionadas por Cris, a sobrinha cuidadora. E, segundo ela, a casa nova é  bem melhor, sem o carpete que fazia mal para S. Saturnino.  Chegamos ao quarto do fundo, no andar de cima, onde se encontrava S. Saturnino, a esposa Benê, que dessa vez estava sentada na cama ao lado, e Laís, esposa de um dos netos deles. A televisão estava ligada e ficou assim por um longo tempo, pois Laís estava bem interessada no que estava passando, até que Terezinha pediu para desligá-la. S. Saturnino não parecia nem um pouco interessado na TV e ficou bem contente com a visita. O espaço ao lado da cama  era apertado e havia a fileira dos balões de ar, o que dificultou um pouco a aproximação de Solenta, que também  não se sentiu a vontade para se atirar na cama pois a barra de sua saia estava muito molhada e já bem suja apesar de ser a primeira visita do d…

S. SATURNINO - O Mar

Para ouvir S. Saturnino cantando junto com Caymmi

Citando Italo Calvino

Capì questo: che le associazioni rendono l'uomo più forte e mettono in risalto le doti migliori delle singole persone, e dànno la gioia che raramente s'ha restando per proprio conto, de vedere quanta gente c'é onesta e brava e capace per cui vale la pena di volere cose buone (mentre vivendo per proprio conto capita più spesso il contrario, di vedere l'altra faccia della gente, quella per cui bisogna tener sempre la mano alla guardia della spada). Entendam isto: que as associações tornam o homem mais forte e colocam em destaque os melhores dons da pessoa singular, e dão a alegria que raramente se tem ficando por conta própria, de ver quanta gente existe honesta e brava e capaz, pelas quais vale a pena querer coisas boas (enquanto vivendo por conta própria acontece com mais frequência o contrário, de vermos a outra face das pessoas, aquela pela qual é preciso ter sempre a mão na guarda da espada). Italo Calvino, I Nostri Antenati, p. 192, Oscar Mondadori, 2008.