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S. FERNANDO - A ALTA

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Foi bem difícil começar a escrever esse relato. Dois motivos bem óbvios saltam: primeiro por se tratar de mais uma alta e ter que aceitar que não existe, por enquanto, mais perspectiva de encontrar S Fernando; segundo porque, como os encontros anteriores, esse também foi tão belo e profundo e S. Fernando disse tantas maravilhas que não me sinto capaz de reproduzi-las aqui nesse espaço. Mas vou tentar, mesmo que ao final me sinta frustrada com o resultado.
É apenas a terceira vez que Solenta e S. Fernando se encontram, mas a sensação é de que se conhecem de longa data. Solenta, que sempre tem a impressão de que nem sabe em que parte de São Paulo, quiçá do mundo, se encontra, até pode dar dicas ao motorista de qual era o prédio certo, era a primeira vez que ele e a enfermeira Terezinha iam até lá. Fátima, a cuidadora, foi nos esperar lá embaixo para se certificar que o portão estava aberto. Quando subimos até o terceiro andar, a porta do vizinho estava aberta e Solenta avistou quatro …

Seu Geraldo - Terceira Visita

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Como sempre, Solenta e Terezinha foram recebidas pela cuidadora Nazaré com sua tiara de corações. Na floreira do caminho nenhuma rosa aberta, só depois de muito procurar Solenta encontrou alguns princípios de botões a despontar. S. Geraldo já estava para o lado de fora do quarto, na varanda que dá para o quintal, na cadeira de rodas. Solenta apareceu toda animada e saltitante. Nesse intervalo entre a última visita e essa que agora estava acontecendo, Solenta havia recebido uma carta de Creusa, filha de S. Geraldo que ela não teve o prazer de conhecer pessoalmente mas que escreveu para agradecer o trabalho com seu pai e o relato aqui escrito. Nessa carta e nas notícias relatadas por Terezinha, Solenta ficou sabendo que S. Geraldo a chama de Chapeuzinho e que estava aguardando ansioso por uma próxima visita. Por isso tudo, Solenta achava que esse encontro seria radiante como os anteriores, mas não foi bem assim que a coisa aconteceu. S. Geraldo não se mostrou muito empolgado com a prese…

Dona Divina - A alta

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Nessa quarta-feira, depois de duas semanas sem visitas, somente encontros com a equipe do PAD, Solenta se encaminhou para sua primeira alta. Dona Divina teve alta do programa, o que é muito bom pois significa que ela está bem, mas isso também quer dizer que Solenta não mais a visitará. E apesar da visita ter sido uma delícia, divertida e ao mesmo tempo cheia de delicadezas, ela também teve um certo tom de tristeza, sentimento inevitável na maioria das despedidas.
Solenta e Terezinha foram recebidas por Alan, o bisneto de D. Divina. Foi engraçado ter o portão aberto por uma criança tão pequena. Ele não tem mais que 7 anos. Logo chegou D. Elvira, a irmã de 94 anos de D. Divina. Terezinha foi para o quarto e Solenta ainda ficou um pouco na sala com D. Elvira e, ao mesmo tempo em que manifestava a satisfação de reencontrá-la, sempre bem de saúde, ouvia, vindas do quarto, as manifestações de satisfação de D. Divina ao ver Terezinha. Quando entrou no quarto, recebeu o mesmo tratamento afet…

Encontro com a Equipe

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Dr. Cláudio, Dra Eloisa, Ana Sílvia, Mirian, Milena, Rose, Dr. André, Celisa, Ivy, Tererezinha, Dra Célia, Silmara, Solenta, Bete e Ivete

Dia 12 de agosto Solenta foi se encontrar com toda a equipe do PAD. Conheceu pessoas que ainda não conhecia e reviu outras que pouco a pouco vão se tornando próximas.
Esse encontro foi acima de tudo um ritual de agradecimento por fazer parte de uma equipe tão especial. Foram quase cinco meses de trabalho e apesar de Solenta ter trabalhado diretamente, até agora, só com a enfermeira Terezinha, que é quem a acompanha nas visitas (além de um dia com Beth e outro com Ivy), sente que é a equipe toda que dá sustentação a seu trabalho. Assim, ela foi lá agradecer. Foi engraçado, pois a equipe achou que se tratava de uma despedida. Talvez porque não estejamos muito acostumados a receber agradecimentos durante os processos, geralmente eles só chegam ao final. Final de uma história, de um curso, de uma parceria, de uma vida... Solenta gosta de agradecer t…

Encontro com o outro - Citando Jean-Louis Barrault

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Estava eu pensando que o encontro com cada um dos pacientes visitados se assemelhava ao enamoramento por uma pessoa, 0 encantamento de um momento único, quando li o seguinte texto:

"Somos mitades de unidad. El ser reconstituido es la pareja.
...
Ese instante en que los individuos se quedan embobados el uno ante el otro. Se hace un silêncio extraño y se entabla el diálogo subterráneo. El tiempo y el espacio han dejado de existir. Se produce la descarga del Presente. El minuto de la verdad, cuando Torero y toro acaban de reconecerse."

Mi Vida En El Teatro - Jean Louis Barrault - Editora Fundamentos - p. 17

Aqui vai minha tradução ao pé da letra:

"Somos metade de unidade. O ser reconstituido é o casal.
...
Esse instante em que os indivíduos ficam abobados um diante do outro. Se faz um silêncio estranho e se entrava o diálogo subterrâneo. O tempo e o espaço deixam de existir. Se produz a descarga do presente. O minuto da verdade, quando toureiro e touro acabam de reconhecer-se.&quo…

DONA JOANA - O RETORNO

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Fomos recebidas por Daniela, neta de D. Joana. Na casa estavam também Tatiana, a cuidadora, e Tainá, de 7 anos, filha de Daniela. Dona Joana mora em um quartinho na parte de cima do terreno que tem várias casas onde moram dois de seus filhos. Ao entrar no quarto, Solenta teve a sensação de que o sol, que havia aparecido depois de um longo período de chuva e frio, ainda não havia conseguido entrar lá. Janela e cortinas estavam fechadas e D. Joana reclamava de um frio que estava muito mais ameno que nos dias anteriores. Ela estava deitada na cama e ficou feliz com a nossa chegada. Não está sendo fácil fazer o registro desse encontro, não só por que ele é a última visita dessa primeira etapa de retornos e a vontade é de escrever tudo o que ainda não consegui colocar em palavras, mas também porque D. Joana é a prova viva de que gentileza gera gentileza, e conseguir relatar o caminho que traçamos com todas as suas sutilezas é obra homérica. Fiquemos pois no resumo. Quando Terezinha começo…

S. PAULO - O RETORNO

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Na varanda da casa, nos deparamos com um varal repleto de roupas de cama tentando secar. Há dias que chove sem trégua na cidade de São Paulo, até mesmo Solenta, que adora frio e chuva, nesse dia esparramou para os quatro cantos que já estava enjoada desse tempo. As roupas não secam, os ossos resfriam e o corpo fica com uma sensação de sem lugar. Quem nos abriu o portão foi Fabiane, uma moça que ajuda Irene, a esposa. Fabiane não estava na primeira visita e Solenta não a conhecia. Ela já foi logo falando que Solenta não iria fazer nenhum sucesso com S. Paulo, que ele só tinha olhos para Terezinha. E falou tão enfaticamente isso e repetiu tantas vezes que não houve mesmo forma de ser diferente. Como descrevi no primeiro relato, S. Paulo não se expressa verbalmente, só com movimentos de cabeça e olhos e, com a boca, só o beijo que manda quando solicitado. Irene é extremamente dedicada e amorosa. S. Paulo acompanhava Terezinha com o olhar o tempo todo. E Solenta tinha a impressão de qu…