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Casamento de Solenta e Antonio

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Solenta e Antonio se casaram dia 30 de setembro, com direito a marcha nupcial, traje a rigor, alianças, padre (na verdade madre Bete), bolo com bonequinhos, champagne (guaraná) e convidadas ilustres. Uma cerimônia que durou não mais que dez minutos mas que foi uma delícia.
Essa saborosa brincadeira é a confirmação de que uma semente lançada em solo fértil, rapidamente germina, cresce e floresce.
Solenta sempre se apronta para as visitas no departamento de enfermagem e, para ela, é uma maravilha iniciar seu contato com o mundo por ali. São pessoas encantadoras que a recebem tão bem que é como se ela sempre abrisse a porta para uma paisagem que enche os olhos, o coração e alma de belezas de todo tipo. Num desses dias, Nonô bateu a porta e, quando Solenta abriu, deu de cara com Antônio. Acontece que Solenta não estava totalmente pronta e Antônio a viu "em roupas quase íntimas." Solenta não teve dúvida quanto à solução para o problema: "vai ter que casar." É preciso o…

SEU SATURNINO - TERCEIRA VISITA

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Lá vamos nós para mais uma visita ao sábio Saturnino. Dessa vez, Solenta e Terezinha estavam acompanhadas de Viviana, estudante do último ano de enfermagem que está fazendo estágio no PAD. Quem nos abriu o portão foi um dos netos e, na cozinha, Solenta foi apresentada a dois dos filhos de S. Saturnino: Olímpio e Marcos. Quando subimos para o quarto, Solenta esperou Terezinha entrar para apresentar Viviana e só depois apareceu para mais um encontro tão aguardado por ela. S. Saturnino logo sussurou lindas palavras de satisfação pelo reencontro com Solenta, e ela verbalizou o prazer de revê-lo. Depois Solenta pegou um pequeno gravador e anunciou que dessa vez estava preparada para guardar todas as coisas bonitas e sábias que ele costuma dizer. Benê, a esposa, que dessa vez estava de cama, deitada ao lado dele, disse: "mas hoje ele não está muito inspirado não." Solenta, discordando, disse: "mas ele já falou tanta coisa bonita aqui." E Benê disse: "ele ainda n…

S. FERNANDO - A ALTA

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Foi bem difícil começar a escrever esse relato. Dois motivos bem óbvios saltam: primeiro por se tratar de mais uma alta e ter que aceitar que não existe, por enquanto, mais perspectiva de encontrar S Fernando; segundo porque, como os encontros anteriores, esse também foi tão belo e profundo e S. Fernando disse tantas maravilhas que não me sinto capaz de reproduzi-las aqui nesse espaço. Mas vou tentar, mesmo que ao final me sinta frustrada com o resultado.
É apenas a terceira vez que Solenta e S. Fernando se encontram, mas a sensação é de que se conhecem de longa data. Solenta, que sempre tem a impressão de que nem sabe em que parte de São Paulo, quiçá do mundo, se encontra, até pode dar dicas ao motorista de qual era o prédio certo, era a primeira vez que ele e a enfermeira Terezinha iam até lá. Fátima, a cuidadora, foi nos esperar lá embaixo para se certificar que o portão estava aberto. Quando subimos até o terceiro andar, a porta do vizinho estava aberta e Solenta avistou quatro …

Seu Geraldo - Terceira Visita

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Como sempre, Solenta e Terezinha foram recebidas pela cuidadora Nazaré com sua tiara de corações. Na floreira do caminho nenhuma rosa aberta, só depois de muito procurar Solenta encontrou alguns princípios de botões a despontar. S. Geraldo já estava para o lado de fora do quarto, na varanda que dá para o quintal, na cadeira de rodas. Solenta apareceu toda animada e saltitante. Nesse intervalo entre a última visita e essa que agora estava acontecendo, Solenta havia recebido uma carta de Creusa, filha de S. Geraldo que ela não teve o prazer de conhecer pessoalmente mas que escreveu para agradecer o trabalho com seu pai e o relato aqui escrito. Nessa carta e nas notícias relatadas por Terezinha, Solenta ficou sabendo que S. Geraldo a chama de Chapeuzinho e que estava aguardando ansioso por uma próxima visita. Por isso tudo, Solenta achava que esse encontro seria radiante como os anteriores, mas não foi bem assim que a coisa aconteceu. S. Geraldo não se mostrou muito empolgado com a prese…

Dona Divina - A alta

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Nessa quarta-feira, depois de duas semanas sem visitas, somente encontros com a equipe do PAD, Solenta se encaminhou para sua primeira alta. Dona Divina teve alta do programa, o que é muito bom pois significa que ela está bem, mas isso também quer dizer que Solenta não mais a visitará. E apesar da visita ter sido uma delícia, divertida e ao mesmo tempo cheia de delicadezas, ela também teve um certo tom de tristeza, sentimento inevitável na maioria das despedidas.
Solenta e Terezinha foram recebidas por Alan, o bisneto de D. Divina. Foi engraçado ter o portão aberto por uma criança tão pequena. Ele não tem mais que 7 anos. Logo chegou D. Elvira, a irmã de 94 anos de D. Divina. Terezinha foi para o quarto e Solenta ainda ficou um pouco na sala com D. Elvira e, ao mesmo tempo em que manifestava a satisfação de reencontrá-la, sempre bem de saúde, ouvia, vindas do quarto, as manifestações de satisfação de D. Divina ao ver Terezinha. Quando entrou no quarto, recebeu o mesmo tratamento afet…

Encontro com a Equipe

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Dr. Cláudio, Dra Eloisa, Ana Sílvia, Mirian, Milena, Rose, Dr. André, Celisa, Ivy, Tererezinha, Dra Célia, Silmara, Solenta, Bete e Ivete

Dia 12 de agosto Solenta foi se encontrar com toda a equipe do PAD. Conheceu pessoas que ainda não conhecia e reviu outras que pouco a pouco vão se tornando próximas.
Esse encontro foi acima de tudo um ritual de agradecimento por fazer parte de uma equipe tão especial. Foram quase cinco meses de trabalho e apesar de Solenta ter trabalhado diretamente, até agora, só com a enfermeira Terezinha, que é quem a acompanha nas visitas (além de um dia com Beth e outro com Ivy), sente que é a equipe toda que dá sustentação a seu trabalho. Assim, ela foi lá agradecer. Foi engraçado, pois a equipe achou que se tratava de uma despedida. Talvez porque não estejamos muito acostumados a receber agradecimentos durante os processos, geralmente eles só chegam ao final. Final de uma história, de um curso, de uma parceria, de uma vida... Solenta gosta de agradecer t…

Encontro com o outro - Citando Jean-Louis Barrault

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Estava eu pensando que o encontro com cada um dos pacientes visitados se assemelhava ao enamoramento por uma pessoa, 0 encantamento de um momento único, quando li o seguinte texto:

"Somos mitades de unidad. El ser reconstituido es la pareja.
...
Ese instante en que los individuos se quedan embobados el uno ante el otro. Se hace un silêncio extraño y se entabla el diálogo subterráneo. El tiempo y el espacio han dejado de existir. Se produce la descarga del Presente. El minuto de la verdad, cuando Torero y toro acaban de reconecerse."

Mi Vida En El Teatro - Jean Louis Barrault - Editora Fundamentos - p. 17

Aqui vai minha tradução ao pé da letra:

"Somos metade de unidade. O ser reconstituido é o casal.
...
Esse instante em que os indivíduos ficam abobados um diante do outro. Se faz um silêncio estranho e se entrava o diálogo subterrâneo. O tempo e o espaço deixam de existir. Se produz a descarga do presente. O minuto da verdade, quando toureiro e touro acabam de reconhecer-se.&quo…