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Rui Barbosa

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Segunda visita do dia com a grande equipe: a terapeuta ocupacional Silmara, as "estagiárias" Suzana e Mariane, e as psicólogas Ivete e Lívia.
S. Rui está acamado devido a uma cirurgia no quadril que complicou. Ele ficou entubado por muito tempo.

O ENCONTRO

S. Rui é de família portuguesa, mora em apartamento e fica em uma cama hospitalar na sala. Solenta entrou na sala após toda a equipe pois ficou puxando conversa pela janela do corredor com Angela, a ajudante da casa que estava lavando roupa na área de serviço. Quando entrou, foi recebida por Dona Júlia, a esposa de S. Rui. Ela é uma senhora super elegante e muito jovial. S. Rui demonstrou ter gostado da surpresa de ser visitado por uma palhaça e ele fala tão baixinho que obrigou Solenta a falar baixo também e ficar tão concentrada nele que por muito tempo se esqueceu que a sala estava tão cheia de gente. S. Rui foi transmitindo uma calma e uma serenidade que Solenta desacelerou por completo. Os dois têm um delicioso sotaque…

Maria Antonieta - Tonha - Primeira Visita

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Essa visita foi acompanhada de equipe grande: a T.O. Silmara e suas "estagiárias", Suzana e Mariane, e também as psicólogas Ivete e Lívia. Uma verdadeira comitiva.
Dona Maria Antonieta tem sequelas de AVC e insuficiência coronariana.

O ENCONTRO

É sempre uma delícia chegar em comitiva. Para a paciente deve ser uma sensação muito boa ver a casa se encher de pessoas que vão até lá para visitá-la e para Solenta é a possibilidade infinita de muito brincadeira e muito "jogo". Tonha, como gosta de ser chamada, tem um humor delicioso. Veio de Pernambuco, de uma cidade perto do Recife, Ipojuca, se não me engano. Quando Solenta chegou perto dela e colocou a mão em seus cabelos para um cafuné, já foi logo anunciando que era uma delicia repousar a mão ali pois o cabelo de Tonha é bem fofinho. Ela retrucava dizendo que não era não e Solenta confirmava que era sim. Brincaram de brigar. Além de termos chegado em grande comitiva, também estavam na casa Nalva, filha e cuidadora de To…

D. Maria Bonita

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Mais um registro escrito após mais de um mês da visita. Vamos lá, puxando os fios da memória... Dona Maria Jerônima tem 83 anos, está acamada em decorrência de um AVC. Usa sonda para alimentação.

O ENCONTRO

Chegar à casa de D. Maria Jerônima é como ultrapassar um portal para uma cidadezinha do interior. Já da calçada se avista lá no alto uma parreira muito antiga. Subindo pelas escadas se vê, à direita, um pomar com frutas diversas. Eu e Terezinha fomos recebidas por Ana e Eliana, filhas da paciente. D. Maria Jerônima, já de cara, disse que todos a tratam por Maria Bonita e é assim que gosta de ser chamada. D. Maria Bonita é uma pessoa muito forte, em todos os sentidos. Primeiro porque seu AVC é ainda bem recente e sua recuperação caminha bem e, segundo, porque parece que ela é uma mulher de pulso firme, ativa e determinada. Por isso tudo, dá para imaginar como deve estar sendo difícl para ela ter que ficar o dia todo presa a uma cama.
Bom, chega de divagações e passemos a visita de fato…

S. Euripedes

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Retomando a escrita, muito tempo depois da visita. O lado bom é que só vou registrar o sumo do encontro, o lado ruim é que pequenos detalhes, que ao final são o que constituem o maior sabor das narrativas, já estão perdidos no mar de coisas vividas nos vinte dias que separam o vivido desse registro.

Seu Eurípedes tem 66 anos e está acamado em decorrência de um AVC.

O ENCONTRO


Quando eu e Terezinha chegamos em frente à casa, encontramos algumas pessoas sentadas em um banco que depois soube ter sido feito por S. Eurípedes. Uma das moças perguntou: "Vai visitar o Ripão?" Logo perguntei: "quem?" E a moça respondeu: "Seu Eurípedes, o Ripão! Não sei se ele vai gostar de você, ele gosta é de loira." Eu disse para ela que isso não era problema, que da próxima vez levaria uma peruca para ficar mais do gosto dele. Depois de algum tempo, D. Iraci, esposa de S. Eurípedes, veio nos atender. Ela tinha a expressão fechada e parecia um tanto cansada. Ela nos levou até o q…

S. Fideliz Sanches - Primeira Visita

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Depois de retomar as visitas do ano com uma paciente já conhecida e muito querida, Candinha, retomo agora ao encontro de novos universos.
O primeiro, S. Fideliz, um senhor de 92 anos que se encontra em uma cadeira de rodas, em decorrência de uma fratura no fêmur. Além disso, também tem alzheimer, diabetes e pressão alta.

O Encontro

A presença da palhaça em uma visita do PAD é sempre uma surpresa. Nunca comunicamos antes para que não se crie nenhuma expectativa anterior e para que o acolhimento a essa situação tão inusitada possa acontecer ali, no momento presente, com as emoções que brotam. Nessa casa, essa surpresa causou um alvoroço um tanto barulhento que incomodou profundamente o paciente. É que a filha, Maraíza, e a cuidadora contratada, Régila, ficaram bem agitadas, correram para chamar a outra filha e o neto de S. Fideliz. Ele protestou, pediu respeito dizendo: "eu já sou uma pessoa de idade avançada, parem com esse tumulto." E continuou: "vocês vieram aqui para qu…

Uma rosa para Candinha - Terceira Visita

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Quando a enfermeira Terezinha disse que Candinha e a família estavam pedindo outro encontro, fiquei super feliz. É que, sempre que vou lá, sou tão bem acolhida que a possibilidade de retornar me enche o coração de alegria. Quando chegamos fomos recebidas por Liana, filha de D. Candinha. Ela disse que já suspeitava que Solenta fosse aparecer quando Rose, a secretária do PAD, ligou para marcar a visita. Afinal, o PAD havia estado lá há pouco tempo e não havia nenhum motivo de urgência para outra visita. Pois é, suas suspeitas se concretizaram e lá estava eu, Solenta em carne e osso. Depois que Terezinha comprimentou Candinha, eu entrei no quarto. Ao me ver ela fez uma expressão de surpresa boa. E fiquei encantada com a aparição. Sua roupa, lençol, fronha formavam uma composição de cores suaves que transmitiam serenidade. E isso tem sido realmente necessário pois Candinha tem andado muito assustada. Medo de chuvas fortes, raios, barulhos altos. Várias vezes durante o encontro percebi q…

D. Thereza - Retorno

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Antes de chegar à casa, Solenta peguntou para Dominique: "Você conhece D. Thereza? Não? Você vai adorá-la. Ela é linda!!!"
Quando chegamos, ela estava na cozinha, fazendo um lanchinho, e nos recebeu com braços abertos e abraços sempre fortes e acolhedores.
Ficamos na cozinha mesmo e o papo foi tão bom que até esquecemos de levar Dominique até o quarto de D. Thereza para apresentar sua enorme coleção de bonecas. D. Thereza sempre diz que coleciona bonecas pois quando era criança não podia tê-las, então hoje todo mundo a presenteia com bonecas dos mais variados tipos e materiais. Até Solenta levou uma bonequinha de cerâmica que ela mesmo fez para presentea-la. D. Thereza contou que, quando criança, fazia bonecas de palha de milho. Costura desde menina as próprias roupas e de suas bonecas de palha. Como disse no relato anterior, D. Thereza é ao mesmo tempo delicada e forte. Trabalhava pesado na roça, "plantando milho, feijão... baldeando água do rio" e, à noite, costu…