Postagens

D. Patrocínia

Imagem
D. Patrocínia tem 86 anos, sofre de Alzheimer e mora com a filha Cida em um apartamento. Ela tem, também, um problema no esôfago e a cada dois, três meses, tem de ir até o hospital para fazer um procedimento de dilatação do orgão.


O ENCONTRO (ou des encontro)

Terezinha e Solenta foram recebidas por Cida, filha e cuidadora de D. Patrocínia. Na verdade, essa visita foi mais para ela mesma do que para a mãe, e terei pouco o que falar sobre a visita. Cida há algum tempo atrás havia enviado, através da enfermeira Bete, uma foto dela mesma vestida de palhaça para que Solenta, através da foto, desse um nome para sua palhaça. Missão um pouco difícil essa de, através de uma imagem congelada, nomear um palhaço que não se conhece. Geralmente damos o nome a um palhaço depois que o vemos em gestos, tom de voz, personalidade, jeito de ser... O pouco que Bete sabia de Cida, me contou, que ela se vestia de palhaço para realizar alguns trabalhos voluntários em creches e outros lugares e que gostava muit…

D. Creuza - Primeira Visita

Imagem
Mais uma visita acompanhada pela enfermeira Terezinha. D. Creuza tem 79 anos e uma doença rara, que se manifesta na pele, chamada esclerodermia.


O ENCONTRO

Quem nos recebeu à porta foi a cuidadora Rosane. Além dela, estava na casa Bia, neta de D. Creuza, que também ajuda nos cuidados com a vó. A nora Andréa, mãe de Bia, chegou de uma consulta logo depois, ainda no começo do encontro.
D. Creuza é uma simpatia e de cara foi empatia, ia, ia, ia...
E como ela é bastante lúcida e consciente, foi possível saber, através dela mesma, algumas coisas de sua história. Ela veio do Ceará há mais de 60 anos e, antes de ter seu primeiro e único filho, ela trabalhava em um laboratório farmacêutico.
O encontro foi uma delícia, brincamos, cantamos e conversamos muito. D. Creuza demonstra encantamento e gratidão por tudo. Bia, a neta, tem apenas 11 anos, mas aparenta pelo menos 14. Solenta ficou impressionada com sua responsabilidade e com sua maturidade, mas também ficou muito feliz quando, em alguns moment…

Tempos sem registro

Todos os últimos relatos foram escritos muito tempo depois das visitas. Ficaram pobres, sem cor...
deixaram muito a desejar e um enorme peso no coração. Foram visitas tão boas e plenas de sutilezas que ficarão sem registro. Tentarei a partir dessa semana não deixar mais que acumulem, sei que essa promessa nem sempre poderei cumprir, mesmo assim me arrisco a prometer. Tentarei aplacar minha culpa me dedicando mais aos retornos.

D. Auta Canta

D. Auta cantando "boi de janeiro"

D. Auta - Primeira Visita

Imagem
Quem nos abriu o portão da casa foi a neta Paula. Subimos a escada que dava para uma porta de frente para a sala e para um enorme terraço. A casa fica de frente para uma imensa praça, o que dá a sensação de estarmos em uma cidade do interior. D. Auta tem 75 anos e está na cadeira de rodas por sequelas de um segundo AVC. Mora com a filha e netos. Uma casa cheia de gente, de cachorros e de vida.

O ENCONTRO

Quando chegamos, Neca, a filha cuidadora de D. Auta, estava na sala, tendo os pés e as mãos sendo feitas por Alcione. D. Auta também estava na sala, em uma cadeira de rodas. Solenta entrou se apresentando e se ajoelhou aos pés de D. Auta e falou para ela pedir uma música que ela cantaria. D. Auta pediu uma música que Solenta não conhecia. E Solenta foi engasgando até
encontrar alguma música que a agradasse. A neta Paula e Alcione cantaram junto Fascinação. Logo depois chegou Rafael, o genro que estava vindo do PAD, onde havia ido buscar uma cadeira de rodas mais adequada do que a que el…

Sergio -Primeira Visita

Imagem
S. Sergio tem 68 anos, está acamado, usa sonda vesical e tem Parkinson avançado. A visita foi acompanhada pela enfermeira Terezinha.

O ENCONTRO

Fomos recebidas pela esposa e cuidadora de S. Sérgio, Maria Aparecida, que pediu para ser chamada simplesmente por Cida, sem Dona. No trajeto até o quarto em que estava S. Sérgio, ela reclamou de dor na cintura, disse que estava até chorando no momento em que chegamos. Mais para o final do encontro, Solenta brincou de fazer uma "pajelança" para tirar a dor que ela sentia. Foi uma brincadeira divertida. S. Sérgio demonstrou bastante alegria ao ver Solenta e isso se estendeu por todo encontro, pois ele gargalhou diversas vezes. Não era muito fácil entender o que ele dizia pois, além dele falar baixo, as palavras saíam bem enroladas. Foi como na maioria dos encontros em que o paciente tem dificuldades de se expressar verbalmente, depois de alguns minutos e muita concentração já é possível compreender boa parte do que eles dizem. É preciso…

Rui Barbosa

Imagem
Segunda visita do dia com a grande equipe: a terapeuta ocupacional Silmara, as "estagiárias" Suzana e Mariane, e as psicólogas Ivete e Lívia.
S. Rui está acamado devido a uma cirurgia no quadril que complicou. Ele ficou entubado por muito tempo.

O ENCONTRO

S. Rui é de família portuguesa, mora em apartamento e fica em uma cama hospitalar na sala. Solenta entrou na sala após toda a equipe pois ficou puxando conversa pela janela do corredor com Angela, a ajudante da casa que estava lavando roupa na área de serviço. Quando entrou, foi recebida por Dona Júlia, a esposa de S. Rui. Ela é uma senhora super elegante e muito jovial. S. Rui demonstrou ter gostado da surpresa de ser visitado por uma palhaça e ele fala tão baixinho que obrigou Solenta a falar baixo também e ficar tão concentrada nele que por muito tempo se esqueceu que a sala estava tão cheia de gente. S. Rui foi transmitindo uma calma e uma serenidade que Solenta desacelerou por completo. Os dois têm um delicioso sotaque…