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Ana Catulina - Primeira Visita

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Dona Ana Catulina tem 98 anos e sofre de insuficiência cardíaca crônica. Quando chegamos ela estava deitada, mas quis se sentar para nos receber.
Ela tem 6 filhos, 22 netos, 24 bisnetos e 4 tataranetos. Ufa!! uma família prá lá de grande.
Quem nos recebeu foi Carmem, casada com um dos netos de D. Ana. Ela não ficou durante o encontro, mas a recepção foi muito boa.
Parece que, às vezes, eu acabo esquecendo o quão inusitado pode ser a chegada inesperada de uma palhaça em uma casa. É claro que, com o advento dos Doutores da Alegria, as pessoas já conseguem enxergar algum sentido, fazer alguma conexão. Mas a dimensão da peculiaridade do trabalho em questão, só a partir do próprio encontro. E cada encontro segue um rumo próprio que, às vezes, penso em categorizar. Coisas como: esse foi um encontro de comadres, esse foi um encontro bem palhaçal, esse outro mais denso, esse forte, aquele leve... e assim por diante. Mas confesso que não consigo estabelecer categorias fixas que possam me nort…

A saia de Solenta ou "A roda de amor"

Cinquenta por cento da minha formação de palhaça vem de berço. Não, não há nenhum palhaço profissional na família e tampouco desenvolvo trabalhos da tradição circense, baseados em números clássicos e de habilidades corporais de toda espécie, como acrobacia, equilibrismo, malabares. O trabalho que faço está centrado na (inter) relação com as pessoas. Improviso e relação são as palavras chaves de meu trabalho. Relação com o aqui e agora, com cada ser que se dispõe ao "jogo" com essa figura de nariz vermelho. Bom, mas para não perder o fio voltemos ao berço. Sei que hoje posso fazer um trabalho que transborda afeto pois tive na minha história e tenho até hoje uma família extremamente amorosa. E no meu caso foi uma família tradicional, no sentido de ter pai, mãe, irmãos, tias, primos... Natal barulhento. Mas, entendo que o sentido de família pode ser muito mais amplo. Famílias modernas de dois pais ou duas mães, de amigos que se escolhem para estar juntos e se cuidarem, irmãos, …

D. Rosalina - Retorno

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Quando chegamos à frente da casa, Terezinha quis tirar uma foto de Solenta antes de entrarmos. Uma moça, de nome Sônia, que estava sentada na calçada do outro lado da rua, correu para sair na foto também. A casa estava cheia. A filha Esalina, o filho Arlindo, a cuidadora Ester e mais uma ajudante de cuidados, se não me engano, de apelido Ira. Fui para esse retorno sem saber muito o que esperar dele, pois na primeira visita D. Rosalina estava com dor e o encontro transcorreu com o tempo arrastado, contudo, ele me deixou o caminho para a volta. Um caminho de três tempos. Um caminho de valsa. Tcha, tcha, bum... tcha, tcha, bum
Primeiro tempo: tempo de reconhecimento. Quando  Solenta entrou, D. Rosalina não a reconheceu e a chamou por outro nome. Aos poucos, D. Rosalina foi se abrindo. A cuidadora Ester é extremamente competente e afetiva e dá para sentir como D. Rosalina melhorou desde a última visita, quando a  cuidadora ainda era outra pessoa. Nesse primeiro momento, Solenta entregou um…

Antonio e Linez - Retorno

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Antonio é o paciente do PAD e Linez é sua esposa e cuidadora. Foi a segunda visita do dia e Solenta estava ansiosa por esse retorno. É que a primeira visita tinha sido tão boa que o gostinho de quero mais ficou cutucando até o reencontro. Entre uma visita e outra, Solenta encontrou Linez nos corredores do HU (Hospital Universitário) e ficou tão feliz que fez a maior folia! Esse encontro foi lembrado por Linez mais de uma vez nessa visita e foi impressionante o efeito que teve sobre ela o simples fato de Solenta lembrar seu nome e perguntar por seu marido. Como esquecer Linez? Ela é de uma simpatia e um aconchego que deixam Solenta toda derretida. Nesse retorno, Solenta teve a oportunidade de conhecer Elaine, filha do casal. Elaine aparenta ser uma pessoa calma e bem tímida, uma delicadeza. Mais uma pessoa da família de que Solenta fica fã. Ainda falta conhecer a neta Samira que sempre está na escola no período da tarde, momento das visitas. O encontro, como era de se esperar, foi muit…

Maria Bonita - retorno

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Primeira visita do dia na companhia da enfermeira Terezinha e do motorista Roberto. Quando chegamos à frente da casa, Terezinha quis tirar fotos, pois as plantas estavam bem bonitas. E como Solenta anda cada vez mais "metida",  fez várias poses: sozinha, com Terezinha, com Roberto. Ficaram alguns minutos por lá, o filho de D. Maria Bonita atendeu a campainha e disse que podíamos subir. É muito gostoso chegar lá. Como da primeria vez, tive a sensação de estar chegando em uma casa do interior: plantas, árvores, caramanchão, varandas..., uma sensação de bem estar. Solenta levou um vaso de lírios alaranjados para D. Maria Bonita e ela perguntou como ela tinha advinhado que ela havia feito aniversário dia 04. Na verdade, Solenta se lembrava que ela fazia aniversário em outubro, só não sabia que tinha sido dia 04, mas não foi só por isso que levou a flor, mas também porque achou que seria o presente que mais combinava com seu universo. D. Maria pareceu bem feliz de ver Solenta e a …

S. Euripedes - Retorno

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Esse também será um registro bem sintético.  A primeira visita, feita a S. Euripedes, não foi muito bem avaliada por mim. Achei que eu não estava muito "palhaça", e que esse encontro não acrescentou nada de excepcional no cotidiano dele e da esposa, D. Iraci. Em decorrência disso, tive muita dificuldade em escolher o que levar nesse retorno. A primeira coisa que decidi foi que eu centraria a visita mais na cuidadora do que no paciente. Decidido isso, adquiri um vaso com lindas flores laranja para entregar para D. Iraci. Para S. Eurípedes, fiz uma caneca com uma foto em que nós dois estávamos estampados. E nesse dia Solenta estava muito inspirada, pois já havia estado com as meninas do setor de enfermagem do Centro Obstétrico do HU e havia até ganhado uma touca cirúrgica laranja que colocou embaixo do chapéu. E esse contato com pessoas tão queridas deixou Solenta a mil, completamente disposta a quebrar barreiras. Terezinha também estava inspirada e tirando fotos como nunca.  D.…

D. Auta - Retorno

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Que brava que fico comigo mesma por tantas vezes não conseguir escrever o relato na própria semana da visita! Essa distância entre o vivido e a narração me faz perder coisas preciosas que acontecem a cada encontro.  D. Auta já havia recebido alta quando fomos fazer o retorno. Antes da visita, quando ainda estava nas preparações, eu andei obstinadamente atrás de um "boizinho" de Bumba. Afinal, na visita anterior, ela havia entoado um trecho de uma música que ela cantava quando fazia parte de um grupo de "Auto do Boi". Só consegui achar um lindo boizinho azul na própria manhã da visita. Quando chegamos na frente da casa, Solenta estranhou e disse para o motorista que ele tinha levado ela e Terezinha para o lugar errado. Mas, a verdade, era que D. Auta havia se mudado de casa. A família achou melhor mudar para uma casa sem escadas na entrada, uma vez que agora D. Auta está em cadeira de rodas. Quando chegamos, ela estava na cozinha e recebeu Terezinha e Solenta de braç…