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S. Moacir e D. Inês - Primeira visita.

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Dessa vez estrapolei todos os limites do aceitável no que diz respeito ao registro das visitas.
Estamos em novembro e a primeira visita a seu Moacir e Dona Inês foi realizada em março. Sempre me pergunto o porquê dessa minha dificuldade, impossível dizer que é falta de tempo, isso não seria verdade. Já me vi em desperdícios desse bem tão precioso por diversas vezes. Seria a falta de "tempo de qualidade"? Isso talvez, porque adentrar no universo de S. Moacir é coisa fácil, mas descrevê-lo é coisa que não consegui me atrever até o presente momento. Acho que precisaria de um retiro em meu pequeno paraiso nas montanhas para buscar a inspiração necessária, mas como não vislumbro nenhuma chance disso acontecer, vou aqui mesmo, em minha casa, com o auxílio do pequeno Nicolá (meu pequeno gatinho que aproveita esses momentos no computador para se aconchegar em meu colo). Tenho sorte de tanto no primeiro dia quanto no retorno à S. Moacir tanto eu quanto Terezinha termos feito alguns …

S.João - Retorno do retorno do retorno do.....

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“Nada em rigor tem começo e coisa alguma tem fim, já que tudo se passa em ponto em uma bola; e o espaço é o avesso de um silêncio onde o mundo dá suas voltas.”


É assim, peço inspiração de Guimarães Rosa para escrever esse relato que deixei assentando por mais de um mês. Sempre me sinto pequena ao escrever um relato, um minúsculo cisco no “ponto em uma bola”, incapaz de descrever a mínima parte do que sucedeu.
Esse é o quarto encontro com S. João e sua família e a cada um deles é como se andássemos para trás e para a frente a um só tempo. A cada vez, se descortina um pouco mais da história de S. João, seu passado, seus passos, seus atos. A cada vez, sinto solidificar a construção de um vínculo que pede futuro.
S. João mora com D. Neli,  esposa e cuidadora 24 horas por dia, todos os dias da semana. Está na cama há oito anos. Durante as férias escolares, eles recebem a companhia da netas, Veridyana e Verônica, que passam alguns dias com eles. Por isso o compromisso de Solenta de voltar se…

S. Adauto - Primeira Visita e Retorno

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Já se passaram quatro meses desde que fiz a primeira visita e não consegui escrever o relato do encontro. Dessa vez, ao invés de me queixar sobre o aperto do tempo, e o quanto me pesa não poder me dedicar o quanto eu gostaria a esse trabalho, resolvi juntar o relato das duas visitas e vamos ver no que dá.
 S. Adauto é um paraibano prá lá de bem humorado. Nasceu em 31/01/1941. Na primeira visita soube um pouco da sua origem, mais um paciente oriundo da terra de nosso querido Luis Gonzaga, e a de sua esposa, Ademildes, vinda de Aramaia, no estado da Bahia.  S. Adauto tem uma chácara na cidade de Ibiuna, local onde praticava um de seus prazeres: cuidar da terra. Na época da primeira, visita havia pouco tempo que seu cavalo Campeão havia caído na fossa e foi encontrado morto. S. Adauto estava bem triste, mas nem por isso perdeu seu humor. Propôs para Solenta várias charadas do tipo: "qual a diferença entre a bicicleta e o banheiro?" Solenta coçava, coçava a cabeça e não conseguia …

Zefferina - Primeira Visita

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Segunda visita do dia. Com uma chuva ameaçando cair, chegamos à casa de D. Zefferina. Árvores, um pé de uvaia, um de pitanga e muitas plantas.  Quem nos recebeu ao portão foi a filha Roseli, Rosa para os familiares e Rô para Solenta. D. Zefferina tem 79 anos, nasceu no dia15 de janeiro de 1932, e está se recuperando de um AVC. Na casa estava também a filha Nanci. D. Zefferina fez uma expressão de surpresa boa ao avistar Solenta, que entrou na frente antes de Terezinha apresentá-la.  A visita foi uma delícia e Rosa e Nanci foram muito receptivas. A cadência do encontro foi bem calma e deixou uma sensação de serenidade e aconchego, com direito a longos silêncios enquanto avistávamos a chuva que caía mansamente lá fora. Nanci e Rosa contaram da evolução da mãe que começa a caminhar sozinha com o auxílio de seu "cachorrinho" (ver foto abaixo), que pensamos em batizar, já que ele ainda não tinha nome. Dani, a estagiária de enfermagem que estava nos acompanhando, sugeriu o nome de…

Ana Catulina - Primeira Visita

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Dona Ana Catulina tem 98 anos e sofre de insuficiência cardíaca crônica. Quando chegamos ela estava deitada, mas quis se sentar para nos receber.
Ela tem 6 filhos, 22 netos, 24 bisnetos e 4 tataranetos. Ufa!! uma família prá lá de grande.
Quem nos recebeu foi Carmem, casada com um dos netos de D. Ana. Ela não ficou durante o encontro, mas a recepção foi muito boa.
Parece que, às vezes, eu acabo esquecendo o quão inusitado pode ser a chegada inesperada de uma palhaça em uma casa. É claro que, com o advento dos Doutores da Alegria, as pessoas já conseguem enxergar algum sentido, fazer alguma conexão. Mas a dimensão da peculiaridade do trabalho em questão, só a partir do próprio encontro. E cada encontro segue um rumo próprio que, às vezes, penso em categorizar. Coisas como: esse foi um encontro de comadres, esse foi um encontro bem palhaçal, esse outro mais denso, esse forte, aquele leve... e assim por diante. Mas confesso que não consigo estabelecer categorias fixas que possam me nort…

A saia de Solenta ou "A roda de amor"

Cinquenta por cento da minha formação de palhaça vem de berço. Não, não há nenhum palhaço profissional na família e tampouco desenvolvo trabalhos da tradição circense, baseados em números clássicos e de habilidades corporais de toda espécie, como acrobacia, equilibrismo, malabares. O trabalho que faço está centrado na (inter) relação com as pessoas. Improviso e relação são as palavras chaves de meu trabalho. Relação com o aqui e agora, com cada ser que se dispõe ao "jogo" com essa figura de nariz vermelho. Bom, mas para não perder o fio voltemos ao berço. Sei que hoje posso fazer um trabalho que transborda afeto pois tive na minha história e tenho até hoje uma família extremamente amorosa. E no meu caso foi uma família tradicional, no sentido de ter pai, mãe, irmãos, tias, primos... Natal barulhento. Mas, entendo que o sentido de família pode ser muito mais amplo. Famílias modernas de dois pais ou duas mães, de amigos que se escolhem para estar juntos e se cuidarem, irmãos, …

D. Rosalina - Retorno

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Quando chegamos à frente da casa, Terezinha quis tirar uma foto de Solenta antes de entrarmos. Uma moça, de nome Sônia, que estava sentada na calçada do outro lado da rua, correu para sair na foto também. A casa estava cheia. A filha Esalina, o filho Arlindo, a cuidadora Ester e mais uma ajudante de cuidados, se não me engano, de apelido Ira. Fui para esse retorno sem saber muito o que esperar dele, pois na primeira visita D. Rosalina estava com dor e o encontro transcorreu com o tempo arrastado, contudo, ele me deixou o caminho para a volta. Um caminho de três tempos. Um caminho de valsa. Tcha, tcha, bum... tcha, tcha, bum
Primeiro tempo: tempo de reconhecimento. Quando  Solenta entrou, D. Rosalina não a reconheceu e a chamou por outro nome. Aos poucos, D. Rosalina foi se abrindo. A cuidadora Ester é extremamente competente e afetiva e dá para sentir como D. Rosalina melhorou desde a última visita, quando a  cuidadora ainda era outra pessoa. Nesse primeiro momento, Solenta entregou um…

Antonio e Linez - Retorno

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Antonio é o paciente do PAD e Linez é sua esposa e cuidadora. Foi a segunda visita do dia e Solenta estava ansiosa por esse retorno. É que a primeira visita tinha sido tão boa que o gostinho de quero mais ficou cutucando até o reencontro. Entre uma visita e outra, Solenta encontrou Linez nos corredores do HU (Hospital Universitário) e ficou tão feliz que fez a maior folia! Esse encontro foi lembrado por Linez mais de uma vez nessa visita e foi impressionante o efeito que teve sobre ela o simples fato de Solenta lembrar seu nome e perguntar por seu marido. Como esquecer Linez? Ela é de uma simpatia e um aconchego que deixam Solenta toda derretida. Nesse retorno, Solenta teve a oportunidade de conhecer Elaine, filha do casal. Elaine aparenta ser uma pessoa calma e bem tímida, uma delicadeza. Mais uma pessoa da família de que Solenta fica fã. Ainda falta conhecer a neta Samira que sempre está na escola no período da tarde, momento das visitas. O encontro, como era de se esperar, foi muit…

Maria Bonita - retorno

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Primeira visita do dia na companhia da enfermeira Terezinha e do motorista Roberto. Quando chegamos à frente da casa, Terezinha quis tirar fotos, pois as plantas estavam bem bonitas. E como Solenta anda cada vez mais "metida",  fez várias poses: sozinha, com Terezinha, com Roberto. Ficaram alguns minutos por lá, o filho de D. Maria Bonita atendeu a campainha e disse que podíamos subir. É muito gostoso chegar lá. Como da primeria vez, tive a sensação de estar chegando em uma casa do interior: plantas, árvores, caramanchão, varandas..., uma sensação de bem estar. Solenta levou um vaso de lírios alaranjados para D. Maria Bonita e ela perguntou como ela tinha advinhado que ela havia feito aniversário dia 04. Na verdade, Solenta se lembrava que ela fazia aniversário em outubro, só não sabia que tinha sido dia 04, mas não foi só por isso que levou a flor, mas também porque achou que seria o presente que mais combinava com seu universo. D. Maria pareceu bem feliz de ver Solenta e a …

S. Euripedes - Retorno

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Esse também será um registro bem sintético.  A primeira visita, feita a S. Euripedes, não foi muito bem avaliada por mim. Achei que eu não estava muito "palhaça", e que esse encontro não acrescentou nada de excepcional no cotidiano dele e da esposa, D. Iraci. Em decorrência disso, tive muita dificuldade em escolher o que levar nesse retorno. A primeira coisa que decidi foi que eu centraria a visita mais na cuidadora do que no paciente. Decidido isso, adquiri um vaso com lindas flores laranja para entregar para D. Iraci. Para S. Eurípedes, fiz uma caneca com uma foto em que nós dois estávamos estampados. E nesse dia Solenta estava muito inspirada, pois já havia estado com as meninas do setor de enfermagem do Centro Obstétrico do HU e havia até ganhado uma touca cirúrgica laranja que colocou embaixo do chapéu. E esse contato com pessoas tão queridas deixou Solenta a mil, completamente disposta a quebrar barreiras. Terezinha também estava inspirada e tirando fotos como nunca.  D.…

D. Auta - Retorno

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Que brava que fico comigo mesma por tantas vezes não conseguir escrever o relato na própria semana da visita! Essa distância entre o vivido e a narração me faz perder coisas preciosas que acontecem a cada encontro.  D. Auta já havia recebido alta quando fomos fazer o retorno. Antes da visita, quando ainda estava nas preparações, eu andei obstinadamente atrás de um "boizinho" de Bumba. Afinal, na visita anterior, ela havia entoado um trecho de uma música que ela cantava quando fazia parte de um grupo de "Auto do Boi". Só consegui achar um lindo boizinho azul na própria manhã da visita. Quando chegamos na frente da casa, Solenta estranhou e disse para o motorista que ele tinha levado ela e Terezinha para o lugar errado. Mas, a verdade, era que D. Auta havia se mudado de casa. A família achou melhor mudar para uma casa sem escadas na entrada, uma vez que agora D. Auta está em cadeira de rodas. Quando chegamos, ela estava na cozinha e recebeu Terezinha e Solenta de braç…

S. Sérgio - Retorno

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Está será uma postagem quase só de imagem, pois a visita foi realizada há mais de dois meses e, apesar de eu lembrar de bastante coisa, tenho que correr com o atraso da lista de visitas que não foram ainda registradas.

Bom, para começar, devo dizer que a visita foi uma delícia e que os presentes que levei para S. Sérgio e D. Maria, que eu chamo de Cida pois foi assim que ela escolheu ser chamada na primeira visita, foram um sucesso. O primeiro deles foi um vasinho porta-retratos que pintei com a marca de Solenta (azul com bolinhas brancas). Nele, prendi uma foto de S. Sérgio e D. Cida. O segundo presente foi um filme DVD do Mazzaropi. Não sabia se eles teriam em seu quarto um aparelho de DVD para assistir ao filme, mas resolvi arriscar. Não tinham, mas na casa do filho, que mora em frente, há um e Cida disse que toda a família gosta do Mazzaropi e que seria uma diversão todos assistirem juntos. Que bom!!! Enquanto Terezinha ficou com Cida na cozinha, solenta ficou sozinha com S. Sérgi…

S. Fideliz - Retorno

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Prólogo Havia quase um mês que Solenta não saía em visita. E nesse dia estava duplamente feliz, primeiro, por retornar a esse trabalho maravilhoso e, segundo, porque estava saindo em comitiva. Juliana e Carla, simpatissíssimas estudantes de enfermagem que estão fazendo estágio no PAD, e a querida enfermeira Terezinha. Olha a gente aí na perua! Foto tirada pelo nosso motorista Wendel. O ENCONTRO
A expectativa da visita era grande pois no encontro anterior S. Fideliz não havia recebido Solenta muito bem logo de cara, só com o decorrer do tempo é que a coisa foi esquentando e ficando gostosa. Bem, aos poucos Solenta vai aprendendo um pouco mais sobre esse trabalho. Se a máxima "um encontro nunca é igual ao outro" vale para todos os pacientes (e para tudo na vida), para os pacientes com alzheimer, essa máxima é elevada à potência "máxima." E eu havia tirado algumas conclusões um pouco apressadas acerca de S. Fideliz como, por exemplo, que ele não gostava de barulho. Qua…

S. Edgar - Retorno

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E lá fomos nós para a segunda visita do dia: Terezinha, Juliana, Carla e eu. A primeira visita ao Seu Edgar foi bem agradável. Nada muito excepcional, nem grandioso, mas muito gostoso. Dessa vez, Seu Edgar estava mais falante, ainda mais tendo uma grande comitiva para ouvi-lo. Na casa,  além da filha Célia, estavam também a esposa Ernestina, que Solenta ainda não conhecia, o neto Lucas e o bisneto Marcos. Os meninos ora vinham participar da bagunça, ora iam para sala jogar video game. Célia, que na primeira visita ficou mais distante, nessa estava bem mais participativa. Como infelizmente estou sem tempo para uma descrição mais detalhada da visita, escreverei apenas alguns momentos que foram mais marcantes. Célia quis colocar o nariz de palhaço que foi usado como fecho, laço, enfeite do saquinho que continha a caneca que Solenta levou de presente para Seu Edgar. Nesse momento, ela contou um pouco a respeito de que sempre gostou de teatro e que fazia algumas coisas nesse campo há algum …